quinta-feira, abril 05, 2007

Desígnio do País

Por entre duas fornadas de pão de ló, penso que percebi o verdadeiro móbil de todas estas políticas do governo: o turismo. Parece estranho?! Olhe que não... É apenas o radicalizar da campanha "Vá para fora cá dentro". Assim, nas nossas deslocações mundanas, como ir ao centro de saúde, à escola, ao tribunal, temos sempre desculpa para, devido à distância a percorrer, podermos fazer umas feriazitas...
Lanço, desde já, para todos os agentes turísticos que possam ler este blog (imagino que sejam às centenas...) algumas ideias para pacotes de férias que, segundo me parece, irão fazer furor num futuro não muito longínquo:

Feira Medieval em Sta. Maria da Feira: "Venha conhecer as Terras da Feira e, do alto do seu Castelo, fazer uma viagem ao passado. Pelo caminho, faça uma pequena pausa para retirar o apêndice no nosso completo hospital, fruto do mais genuíno pensamento liberal!"

Páscoa no Algarve: "Sente-se cansado? O seu espaço deixou de existir? Venha passar a Páscoa ao Algarve. No nosso pacote divórcio em fim de semana, verá que fica como novo!"

Agrupamentos Verticais de Escolas: "Professor, se queres servir o teu país, alista-te na nossa escola. Temos uma grande variedade de alunos, desde a pré-primária ao secundário, falta de salas e turmas excessivamente grandes. Faremos de ti um Homem (ou Mulher, conforme aplicável)."

Casas particulares com quartos para alugar: "Gostaria de dar ao seu filho um acompanhamento pessoal, mas a escola é tão longe que ele, apesar de andar ainda na primária, não tem tempo para ir todos os dias a casa? Nós temos a solução: O nosso lar para crianças estudantes deslocadas é o que procura!"

terça-feira, março 27, 2007

Ecossocialismo

O caminho percorrido pela Esquerda desde a queda do mundo de Berlim foi, ambientalmente, sempre assombrado pelas práticas desastrosas do socialismo real. Os exemplos são muitos e, infelizmente, nesta área as diferenças para o capitalismo não abundam.
É chegado o tempo da Esquerda sair de vez debaixo dessa sombra e assumir uma luta que só pode ser sua. Nenhum partido liberal, ou mesmo social-democrata, pode, honestamente, defender uma causa em que tentar agradar ao dois lados (dois? será mesmo?). Apenas os partidos verdadeiramente socialistas podem, juntamente com uma alternativa de organização económica, trazer a sociedade para essa convivência salutar com a natureza, em vez da relação de rapina que actualmente existe.
Assim, com todo este espaço imenso por ocupar, aparece o ecossocialismo: uma lufada de ar fresco nas ideias e nas causas, mas, também, na militância. Representa uma nova abordagem da sociedade e, dessa forma, uma novo alcance da mensagem socialista.
Numa época em que os desastres (crises) ambientais alastram, afinal, é mesmo a luta ambiental que poderá fazer a diferença.

quarta-feira, março 21, 2007

Indecisão

Fico sempre na dúvida, quando ouço as perguntas que o dentista me faz, se ele apenas fala, por falar, ou se espera mesmo que eu, com uma broca na boca, lhe responda...

terça-feira, março 20, 2007

O sucessor do Imperador

Numa posição que demonstra toda a modernidade existente no meio económico português, Belmiro de Azevedo deixa a direcção da Sonae. O trono é passado a...o seu filho...
Parece que, afinal, estes barões de negócios tão modernos, regem-se pelas mesmas emoções que os monarcas...

Despersonalização

Deus não tem unidade,
Como a terei eu?

Fernando Pessoa

sábado, março 17, 2007

Sebastianismo Popular (1)

Sebastião Portas promete reaparecer, envolto em nevoeiro, para, através de eleições directas, assumir os rumos da tribo popular. O nevoeiro é negociável, as directas, não...

quinta-feira, março 15, 2007

Rapariga com brinco de pérola

Foi este quadro que motivou o romance de Tracy Chevalier, onde recriou as relações entre esta rapariga e o pintor Johannes Vermeer. Segundo ela, este quadro marcaria a ascensão de uma diva que apareceu para salvar o pintor da sua crise criativa.
A adaptação do livro ao cinema marca, indelevelmente, a afirmação de Scarlett Johansson.

Quem me dera...

Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda esta por vir
E o futuro nao é mais como era antigamente.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais, por não ter nada a dizer
Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante,
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos indios,
Nao ser atacado por ser inocente.
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho,
Entenda - assim pude trazer você de volta para mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a cura do meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
Nos deram espelhos e vimos um mundo doente.

Tentei chorar e não consegui...

Parte da letra da música "Índios" dos Legião Urbana

quarta-feira, março 07, 2007

Há palavras que nos beijam...

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.


Alexandre O'Neill


segunda-feira, março 05, 2007

O sonho faz parte da vida!

Há dias, ouvi do meu pai uma frase fantástica:
"O sonho faz parte da vida. Não para adormecer, mas para não nos acomodarmos à rotina."

quinta-feira, março 01, 2007

MPP - Música Popular Portuguesa

Ainda pensando no Zeca, lembrei-me da glorificação que outros países fazem aos seus artistas.
Particularmente o Brasil, com a sua MPB (Música Popular do Brasil), causa-me uma certa inveja... Esta "música popular" abarca nomes como Tom Jobim, João Gilberto, Elis Regina, Vinicius de Morais, entre tantos outros.
O que me causa admiração é o assumir desta popularidade, esta transversalidade de uma música evoluída (e em evolução), que representa trazer todos estes nomes para as ruas, para meio do povo, como algo seu.
Pena é que a chamada música popular portuguesa, hoje em dia, se confunda a música popularucha com que somos constantemente bobardeados.

Imagino uma MPP (Música Popular Portuguesa)... Quase como as quatro quadras soltas que, juntas, criariam a identidade de um povo. Zeca Afonso, José Mário Branco, Fausto, Sérgio Godinho... Mas este ilustre grupo não se fecha, pelo contrário: é continuado por Represas, Veloso e outros mais...

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Tributo a Zeca Afonso


Passam 20 anos desde que deixou de cantar. O seu espírito, contudo, renova-se entre nós a cada nota das canções emblemáticas que deixou.

Não se pode dizer que fosse um grande músico. Prefiro, antes, dizer que foi um Homem da Música, que, em cada sopro, transbordava melodia.
Tenho-o como um dos grandes compositores do século XX. A sua obra, na minha opinião, ombreia com a de Duke ou Jobim, dando uma aura de modernidade a este nosso Portugal.
No entanto, quase como um triste destino por, entre nós portugueses, ter vivido, morreu na miséria, abandonado.

Fica esta homenagem de quem cresceu a ouvir as Cantigas de Maio, na senda do mundo aberto pela Grândola, Vila Morena.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Vanilla Sky

Este é o quadro de Monet que inspirou o filme Vanilla Sky. É este quadro que dá o mote à transição que acontece no filme entre a realidade e o imaginário.
O quadro foi baptizado como "O Sena em Argenteuil".

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Falando de Amor...

Se eu pudesse por um dia
Esse amor, essa alegria
Eu te juro, te daria
Se pudesse esse amor todo dia
Chega perto, vem sem medo
Chega mais meu coração
Vem ouvir esse segredo
Escondido num choro canção
Se soubesses como eu gosto
Do teu cheiro, teu jeito de flor
Não negavas um beijinho
A quem anda perdido de amor
Chora flauta, chora pinho
Choro eu o teu cantor
Chora manso, bem baixinho
Nesse choro falando de amor

Quando passas, tão bonita
Nessa rua banhada de sol
Minha alma segue aflita
E eu me esqueço até do futebol
Vem depressa, vem sem medo
Foi pra ti meu coração
Que eu guardei esse segredo
Escondido num choro canção
Lá no fundo do meu coração.

Letra e Música de António Carlos Jobim

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